

Há pessoas que crêem que o Cristianismo foi instituído por Jesus. Outros, como Nietzsche, afirmam que foi o apóstolo Paulo quem criou a maior e mais polêmica das religiões monoteístas. Eu, é claro, discordo de todos eles. Sim! Pois, não creio que Jesus, Paulo, ou qualquer outro apóstolo tenha idealizado o que a humanidade experimentou e conheceu como Cristianismo. Creio, na verdade, que Jesus não deixou-nos uma nova religião, conseqüente ou alternativa ao Judaísmo, mas sim que Ele acabou definitivamente com todas elas.
Sim! Em Jesus não há mais Religião. Nem o Cristianismo, nem qualquer outra. Há apenas o Evangelho, como mensagem e vida, como experiência existencial, de consciência, percepção e ação; sem religião, sem dogma, sem ritual, sem culto, sem clero, sem templo, sem sacralidade qualquer de objetos, lugares, pessoas, dias ou festas.
O que há é o Evangelho, que como mensagem é uma boa notícia; a notícia de que Deus, através de Jesus Cristos, está reconciliando consigo mesmo todo o Universo, que fora afetado pelo caos da rebelião humana; e que todo aquele que assim crê é transformado interiormente através da ação de seu Espírito, tornando-se semelhante a Deus em ações redentoras e graciosas na terra, aguardando o tempo em que tudo será plenamente redimido para a eternidade.
O que há é o Evangelho, que como vida é experimentado na comunhão fraterna, solidária e inclusiva, onde o que se deseja pra si é feito pelo outro, onde todos são iguais e não há distinção alguma de valor entre raça, cor, sexo ou posição social. Onde se celebra a esperança do céu e se suporta e se combate as aflições com coragem.
Sendo assim, fiquem sabendo que o homem de Deus age por uma lei interna, e não por mandamentos externos; que a adoração não é composta por rezas ou mantras, mas sim por confiança e gratidão; e que os instrumentos de adoração são as resposta do coração à vida, conforme a fé, e não as harpas e saltérios. Fiquem sabendo, sobretudo, que seguir a Jesus não é fazer parte de uma igreja ou de uma comunidade religiosa, e sim viver o Evangelho como aquilo que perpassa a vida de modo integral, como espírito que qualifica todas as percepções, interpretações, atitudes, e decisões de uma pessoa.
Não há um versículo bíblico onde isso está claramente dito, mas alguém pode negar que esse seja o espírito do Evangelho?